Congresso da ADLAF 2021


Conhecimento, poder e transformação digital



24-26 de junho 2021

no centro de congressos da Fundação Hanns Seidel em Munique



Chamada


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Como parte de sua conferência interdisciplinar sobre "Conhecimento, poder e transformação digital na América Latina", que acontecerá de 4 a 6 de junho de 2020 no centro de congressos da Fundação Hanns Seidel em Munique, a Associação Alemã de Pesquisas sobre America Latina (ADLAF) convida você a apresentar seus trabalhos. Os resumos (máx. 200 palavras) juntamente com os dados pessoais do autor (máx. 500 caracteres) devem ser enviados para o endereço de e-mail adlaf-2020@ku.de até 30 de setembro de 2019. A seleção e a divulgação dos conferencistas serão efetuadas até o final de outubro de 2019, sem que tal implique um compromisso por parte da ADLAF de financiar as despesas de viagem e de alojamento.

Lidar com o recurso do conhecimento é um dos assuntos mais controversos e discutidos do nosso tempo. Os debates e conflitos globais sobre usabilidade, transferência, monopolização, democratização e diversificação dos saberes sempre se referem a questões de poder social, político e econômico. Assim, as novas tecnologias e formatos midiáticos permitem, por um lado, um melhor acesso ao conhecimento como recurso e, portanto, um maior grau de participação política e social de setores mais amplos da população. Ao mesmo tempo, a valorização do conhecimento pelas corporações globais, por exemplo, através da aquisição (ilegal) de dados ou da reivindicação e aplicação dos direitos de propriedade intelectual, promove a formação de monopólios do saber que servem fins comerciais e exacerbam as desigualdades sociais.

Estes temas, que também são de grande relevância para a América Latina, serão complementados no congresso com um aspecto que melhor reflete a produção, transformação e armazenamento do conhecimento em um contexto científico e cultural. Por um lado, o congresso irá focar questões de digitalização e transformação digital, que se tornaram questões-chave nas humanidades e ciências sociais nos últimos anos, sob os termos de Humanidades Digitais e Digital Turn. Por outro lado, a diversidade cultural e linguística da América Latina também sugere um questionamento fundamental das epistemologias eurocêntricas. Portanto, as múltiplas articulações do conhecimento por diferentes atores e as dinâmicas de produção de saberes em contextos coloniais e pós-coloniais devem ser examinadas. Em relação a todos os aspectos acima mencionados, levanta-se a questão de saber se e em que medida a relação entre conhecimento, poder e digitalização na América Latina representa um caso especial, ou se as tendências globais são aqui descritas.

O Congresso ADLAF 2020 proporciona uma plataforma para que os atores da ciência, cultura, política e economia possam discutir estas questões de forma interdisciplinar e, assim, reforçar o diálogo entre instituições científicas e não universitárias. Convidamos todas as partes interessadas a apresentar propostas nas seguintes áreas temáticas:

1. Produção do saber - transferência de conhecimento - monopólios do saber

No contexto desta área temática, a primeira questão a ser abordada é quais conceitos de conhecimento são utilizados na América Latina. Por exemplo, a relação entre conhecimento acadêmico e conhecimento tradicional ou indígena é de interesse. Os processos de produção, apropriação, tradução e adaptação do conhecimento desempenham um papel importante neste contexto. As questões centrais são:

­Como o conhecimento é produzido na América Latina? Como as condições sociais e políticas afetam a produção do saberes teóricos e empíricos?

­Como é que o saber é transferido e valorizado, por exemplo, na agricultura e na política agrícola e no setor dos serviços?

­Como são tratados os conhecimentos tradicionais e indígenas?

­Que oportunidades e riscos resultam da transformação digital, por exemplo, da descodificação e valorização dos recursos genéticos da Amazônia?

­Quão livre/limitado ou igual/desigual é o acesso ao conhecimento? Quem o determina? Como podem os processos de democratização ser promovidos através da participação e descentralização do conhecimento?

­Como é que as disciplinas e métodos científicos estão mudando ao longo da transformação digital (palavras-chave: Digital Turn, humanidades digitais)?

­Que monopólios do saber existem? Como isso afeta as desigualdades sociais?

­Que lugar ocupa a América Latina na economia global do saber? Como a transformação digital (por exemplo, a publicação de acesso aberto) afeta as assimetrias, desigualdades e dicotomias existentes entre centros e periferias?

­Quais são as consequências da transformação digital para a relação entre os regimes de conhecimento local e "global"?

­Como as ordens espaciais são (re)produzidas através da difusão do conhecimento hegemônico? Até que ponto formas alternativas de produção e transferência de conhecimento podem desafiar essas demandas?

­Que papel desempenham as instituições culturais, tais como museus, bibliotecas e arquivos, no contexto da produção e transferência de conhecimento?

2. Conhecimento, meios e poder

Esta área temática aborda a relação entre conhecimento e poder, em particular a questão de como os atores sociais e políticos na América Latina lidam com a questão do conhecimento e em que medida a transformação digital resulta em mudanças nas relações de poder. As questões centrais são as seguintes:

­Que oportunidades e riscos surgem para a democracia na América Latina a partir da transformação digital? Que papel desempenham as mídias tradicionais e as novas mídias sociais neste contexto?

­Que oportunidades e riscos decorrem da crescente mobilidade da informação?

­Como estão se desenvolvendo as relações de poder entre a mídia tradicional e as novas mídias sociais?

­Como a transformação digital muda o escopo de ação dos atores da sociedade civil? Até que ponto a liberdade de expressão e a diversidade estão ameaçadas pelas possibilidades de controle e interceptação (palavras-chave espaços que encolhem)?

­Como os atores sociais e políticos (governos, partidos políticos, movimentos sociais, etc.) aproveitam as oportunidades oferecidas pelos novos meios de comunicação? Como esses atores se transformam no curso da transformação digital?

­Até que ponto a mídia alternativa - por exemplo, a mídia comunitária - pode desafiar a soberania interpretativa dos principais atores da mídia?

­Que desafios políticos (de segurança) (por exemplo, cibersegurança, interferência de hackers em campanhas eleitorais, falsas notícias) resultam da transformação digital? Como diferentes atores lidam com esse problema?

­Que papel desempenha a América Latina no contexto da inovação digital em uma comparação global e que consequências isso tem para a posição da região na estrutura de poder global?

­Que desafios colocará a transformação digital a outras áreas políticas, como o futuro do trabalho ou o desenvolvimento de sistemas de justiça?

­Quais são as consequências desta transformação para os mercados de trabalho na América Latina? 

3. Dinâmicas do conhecimento - perspectivas culturais

Este campo temático é dedicado às dimensões culturais e históricas da produção, difusão e apropriação do conhecimento na América Latina. Trata das interações entre atores, mídias e instituições na produção de conhecimento. As questões centrais são as seguintes:

­Que papel desempenham os contatos culturais, os processos de transculturação, a migração e os efeitos coloniais e pós-coloniais na produção, difusão e apropriação do saber na América Latina?

­Que efeitos têm as lutas pelo direito ao conhecimento na política da memória, na preservação do patrimônio cultural e na educação?

­Que projetos e contra-projetos literários e artísticos relacionados aos dispositivos do saber e poder podem ser vistos na produção latino-americana atual?

­Como é a transformação digital encenada na literatura, cinema, performance e nos artes visuais?

­Por que meios e estratégias os atores sociais geram e articulam seus próprios conhecimentos que não correspondem às epistemologias hegemônicas ou que conflitam com elas?

­Que conceitos teóricos e metodológicos refletem criticamente a predominância interpretativa dos conceitos europeus do saber?

­Que papel desempenham as línguas e os processos de tradução na transmissão, apropriação e interpretação do saber?

Como uma parceria interdisciplinar, a ADLAF está particularmente interessada em propostas que vão além das estreitas perspectivas disciplinares e se esforçam para integrar diferentes perspectivas em torno do objeto específico.

http://www.adlaf.de/pt/tagungen/tagung_2020.php